Histórias
de Impacto

domingo, 01.03.2020

Gastronomia mudou a vida de imigrante haitiano que chegou a dormir nas ruas

Por Helaine Martins

Fotografia: acervo pessoal
Fotografia: acervo pessoal

"Dizem que durou apenas alguns segundos, mas para mim foram vários minutos", diz o imigrante Daguison Roc, de 31 anos, ao relembrar o terremoto que, em 2010, devastou o Haiti e agravou as condições de miséria do país mais pobre das Américas.

Apesar de vir de uma família de classe média e de sua casa ter sido uma das poucas na capital, Porto Príncipe, que se manteve de pé, Daguison não suportou a tristeza que sentia ao se ver rodeado de miséria e fome. "Eu tinha muito medo e chorava quase todos os dias. Não conseguia mais viver assim", conta. 

Em 2013, logo após se formar em Hotelaria por uma das principais universidades do Haiti, Daguison decidiu vir ao Brasil. Trabalhou com serviços gerais no Acre, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, até desembarcar em São Paulo, onde passou por muitas dificuldades e chegou a dormir na rua. "Um dia, um amigo me indicou os cursos da Gastromotiva, e fui pesquisar na internet. Eu já gostava muito de cozinhar, e quando vi o trabalho do chef David [Hertz, fundador da ONG], me identifiquei na hora."

Fundada em 2006, a Gastromotiva é cocriadora do Movimento da Gastronomia Social. Uma iniciativa global que articula as melhores práticas e integrantes da sociedade, empresas, governos e agências internacionais em torno do potencial transformador da comida. A organização oferece cursos profissionalizantes em cozinha para jovens de baixa renda. Depois, os encaminha para os melhores restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro. A iniciativa já formou mais de mil profissionais.

Daguison se inscreveu e foi selecionado para o curso e, por três meses, aprendeu de confeitaria e panificação à segurança alimentar, postura profissional e cidadania. Hoje, ele é auxiliar de cozinha em uma rede de restaurantes e encontrou na gastronomia a esperança de ter sua trajetória transformada. "Quando vim para o Brasil, eu senti uma libertação. Graças à Gastromotiva, sou um trabalhador valorizado."

Clique aqui e conheça o trabalho desenvolvido pela Gastromotiva.

"Quando vim para o Brasil, eu senti uma libertação. Graças à Gastromotiva, sou um trabalhador valorizado."

Histórias relacionadas

 voltar para impacto